Se você é dono de micro ou pequena empresa, anote: a janela de opção pelo Simples Nacional para 2027 foi antecipada para 1º a 30 de setembro de 2026.
É uma mudança importante e vem junto de outra escolha estratégica: permanecer no Simples como hoje ou optar por apurar IBS e CBS pelo regime regular (gerando crédito para clientes e tomando créditos nas compras), sem necessariamente sair do Simples.
Como contador no RJ há mais de 17 anos, deixo um guia direto para você decidir com segurança.
O que, na prática, mudou no calendário
A opção pelo Simples para 2027 acontece de 1º a 30/09/2026, com efeitos a partir de 01/01/2027.
Nessa mesma janela, você pode optar por apurar IBS/CBS pelo regime regular, mesmo permanecendo no Simples para os demais tributos (regime “misto”).
Margem de segurança: quem optou em setembro pode cancelar a opção até o fim de novembro de 2026, caso o cenário mude.
As duas grandes decisões
Ficar 100% no Simples como hoje
Vantagens: simplicidade (DAS único), previsibilidade de alíquota, menos obrigações acessórias.
Limitações: Na venda para empresas, o seu cliente não credita IBS/CBS das suas notas; você também não toma créditos amplos nas compras.
Permanecer no Simples e apurar IBS/CBS pelo regime regular (misto)
Vantagens: gera crédito para o cliente e toma créditos de insumos, serviços, energia etc., ganhando competitividade no B2B.
Cuidado: aumenta a complexidade (apuração não cumulativa, escrituração digital) e pode elevar a carga se seu negócio tem pouco insumo creditável ou vende majoritariamente para consumidor final.
Quando, em geral, vale cada caminho
Comércio/indústria e serviços para empresas que exigem crédito: forte candidato ao regime misto.
Varejo/venda e serviços ao consumidor final: tende a fazer mais sentido manter o Simples integral.
Alto volume de insumos creditáveis: o misto fica mais interessante.
Alto valor agregado e poucos insumos: o débito de IBS/CBS pode pesar.
Uma regra de bolso para comparar
Levante sua projeção 2027: faturamento, mix venda para empresas x venda para consumidor final e principais compras/insumos.
Estime a alíquota efetiva no Simples (anexo/faixa).
Estime o seu “índice de crédito” no regime regular (quanto de IBS/CBS você recuperaria nas compras em % da receita tributada).
Compare:
Simples puro – sua alíquota efetiva do anexo.
Regime misto – alíquota cheia IBS+CBS × (1 − índice de crédito).
Impactos no preço e na competitividade
Na venda para empresas, gerar crédito para o cliente permite reduzir preço bruto mantendo margem ou manter preço e capturar margem.
Na venda para consumidor final, não há benefício de crédito: destacar IBS/CBS pode pressionar o preço final.
Operacional, caixa e riscos
Obrigações: ao adotar IBS/CBS regular, você precisará destacar imposto na NF, escriturar e conciliar créditos.
Caixa: o crédito compensa, mas entra por apuração, planeje capital de giro.
Governança: revise CNAEs, contratos, fornecedores e cadastros.

O que fazer agora (linha do tempo prática)
Maio–agosto: organize dados dos últimos 12 meses (vendas por cliente/segmento, compras por natureza, folha, despesas). Classifique o que gera crédito no regime regular.
Simule três cenários: Simples puro; Simples + IBS/CBS regular (misto); e, se fizer sentido, fora do Simples (presumido/real) para ter referência.
Setembro (1º a 30/09): formalize a opção no Portal do Simples.
Até fim de novembro: reavalie e, se necessário, cancele a opção feita em setembro.
Dezembro: trave a decisão e deixe sistemas/processos prontos para janeiro.
Minha recomendação franca
- Se você vende para empresas que vivem de crédito (indústria, atacado, cadeias longas), teste seriamente o regime misto, o crédito para o cliente muda a conversa comercial.
- Se seu jogo é varejo/serviços ao consumidor e sua estrutura é enxuta, o Simples integral tende a continuar vencedor.
Conclusão sobre o prazo do simples
A janela de setembro exige decisão baseada em números, não no “feeling”. Compare carga efetiva, custo de compliance e efeito no preço. Use a brecha até novembro para ajustar, se preciso. Quer acelerar isso? Vamos fazer juntos.
Agende uma consultoria com a CO&FIN, especialistas contábeis no Rio de Janeiro. Entre em contato pelo WhatsApp.












