Como usar a contabilidade como aliada da sua gestão

Como usar a contabilidade como aliada da sua gestão (artigo 07 de 08)

Ennes Mileppe

Escrito por

Veja neste artigo:

Vamos ser honestos: na maioria dos pequenos negócios, a contabilidade fica “operacional” não porque o contador não quer ajudar, mas porque a empresa ainda não tem uma gestão mínima — não existe controle confiável de entradas e saídas, nem registros consistentes para transformar isso em números de decisão. Sem documentação em dia, sem registro mínimo de gastos e sem rotina financeira, não dá para prometer relatórios econômicos e financeiros. Dá, no máximo, para cumprir obrigação e apagar incêndio.

A boa notícia é que a contabilidade ainda pode ser sua aliada antes da empresa virar “organizada”. Só que o caminho muda: você começa usando contabilidade para pagar menos imposto legalmente, precificar melhor e tomar decisões com dados possíveis, e não com dados ideais.

A seguir, os pontos fortes que mais geram impacto real para PME.

1) Pagar menos imposto (legalmente) com planejamento tributário de verdade

Se tem um lugar onde a contabilidade ajuda muito mesmo com pouca maturidade de controles é: tributos.

Porque planejamento tributário não é “mágica”, é método:

  • enquadramento correto (Simples, Presumido, Real)
  • CNAE bem definido (e compatível com a operação)
  • fator R quando aplicável (e estratégia de folha)
  • separação correta de atividades (serviço x comércio x indústria)
  • uso correto de benefícios/regras do setor (quando existe)
  • prevenção de erros que geram imposto maior (e autuações)

Sinais de que você pode estar pagando imposto a mais

  • sua empresa está no Simples “por padrão”, sem simulação anual
  • você nunca revisou CNAE desde que abriu
  • seu DAS oscila e você não sabe por que
  • você tem muita folha e nunca ouviu falar (ou nunca testou) fator R
  • você mistura atividades e tributa tudo como se fosse a pior delas

Ação prática: peça uma simulação comparativa (cenários) com base no seu faturamento e atividade: “se eu continuar assim”, “se eu ajustar CNAE/atividade”, “se eu mudar regime”.

Mesmo com controles medianos, dá para fazer uma análise boa com faturamento + folha + atividade + notas emitidas.

2) Precificação: parar de cobrar “no feeling” (e parar de pagar para trabalhar)

Precificação é onde o empresário mais sangra em silêncio. E aqui a contabilidade ajuda muito, porque ela orienta a colocar na conta o que quase ninguém coloca:

  • impostos sobre venda/serviço
  • encargos de mão de obra (mesmo em equipes pequenas)
  • custos fixos (que todo mundo “esquece”)
  • margem mínima para a empresa respirar

Mesmo que você não tenha um controle perfeito, dá para criar uma precificação mínima segura.

Modelo simples e honesto para o pequeno e médio empresário

Preço precisa cobrir:

  1. Custos diretos (material, frete, comissões, horas de produção quando dá para estimar)
  2. Impostos da venda (ex.: Simples/ISS/ICMS conforme o caso)
  3. Rateio de custos fixos (aluguel, sistemas, contador, equipe administrativa etc.)
  4. Margem de lucro (lucro planejado)

Ação prática: escolha seu “produto/serviço campeão” e monte uma planilha de preço mínimo com esses 4 blocos. Você vai descobrir rapidamente se:

  • está barato demais
  • está vendendo o mix errado
  • está com desconto irresponsável

3) Pró-labore e distribuição de lucros: pagar certo, pagar seguro

Outro ponto forte (e frequentemente subestimado) é organizar a forma como o dono tira dinheiro.

Quando você ajusta pró-labore vs. lucros, você melhora:

  • previsibilidade do caixa pessoal e da empresa
  • organização fiscal/previdenciária
  • redução de risco (principalmente em fiscalização e inconsistências)

E isso não exige um ERP (Enterprise Resource Planning) perfeito, em português, Sistema de Gestão Empresarial. Exige regra.

Ação prática: defina uma política simples:

  • pró-labore fixo (compatível com a função)
  • distribuição de lucro com critério (ex.: mensal ou trimestral, com base em caixa e impostos provisionados)
Cansado de não ver lucro

4) Segurança e proteção do negócio: menos risco, menos susto

Contabilidade aliada também ajuda a evitar prejuízo por descuido

  • evitar desenquadramentos no Simples
  • reduzir risco de malha e inconsistência (PGDAS, eSocial, EFD etc.)
  • evitar multas por atraso, omissão e divergência
  • manter empresa “financiável” (banco e crédito olham organização)

Isso parece “chato”, mas para o pequeno e médio empresário é liberdade: empresa regular = mais opções.

Ação prática: tenha um “painel de obrigações e risco” (pode ser simples):

  • o que vence, quando vence, quem aprova
  • pendências de documentos
  • status fiscal (certidões)

Você não precisa virar o CFO da sua empresa.
Você precisa só garantir um mínimo de insumo
para a contabilidade conseguir te ajudar mais.

5) O jogo real: o mínimo de rotina que destrava 80% do valor

Aqui vai o ponto central, do jeito que funciona no mundo real:

Você não precisa virar o CFO da sua empresa. Você precisa só garantir um mínimo de insumo para a contabilidade conseguir te ajudar mais.

Rotina mínima

  • 1 dia fixo por semana para organizar documentos (15–30 min)
  • separar gastos pessoais x empresa (isso sozinho já muda tudo)
  • registrar 3 coisas:
    1. faturamento da semana
    2. principais gastos
    3. pagamentos previstos (próximos 7/15 dias)

Com isso, já dá para evoluir:

  • planejamento tributário mais preciso
  • precificação mais consistente
  • Contratar e investir com base em números — entendendo o impacto no caixa e na margem de lucro.

6) Folha de pagamento bem-feita: menos risco trabalhista e mais controle de custo

Outro ponto em que a contabilidade vira aliada da gestão é na folha de pagamento. Não é só “rodar contracheque”: é garantir que cálculos, eventos e rotinas estejam corretos para evitar passivos trabalhistas e surpresas no caixa.

Quando a folha é feita do jeito certo, você ganha:

  • previsibilidade do custo real de cada colaborador (salário + encargos + benefícios)
  • redução de risco trabalhista por erros de cálculo e registros inconsistentes
  • cumprimento de obrigações (eSocial, FGTS, INSS) sem sustos e retrabalho
  • base mais segura para contratar (CLT x PJ x estagiário x temporário, conforme o caso)

O que normalmente dá problema (e dá para evitar)

  • admissões sem documentação completa
  • rubricas lançadas errado (proventos/descontos)
  • horas extras/adicionais mal calculados
  • férias, 13º e rescisões com erros
  • benefícios sem política clara (e sem registro)
  • inconsistências no eSocial que viram dor de cabeça depois

Ação prática: trate a folha como “custo estratégico”. Tenha uma rotina mínima:

  • calendário de fechamento (corte de ponto/horas, envio de variáveis)
  • conferência de eventos (horas extras, faltas, comissões, benefícios)
  • validação do custo total (quanto realmente sai do caixa)

Resultado: você contrata melhor, paga certo e reduz drasticamente o risco de passivo.

O que você deve pedir para sua contabilidade

Se hoje sua empresa ainda não entrega tudo redondo, peça entregas que geram valor mesmo assim:

  • simulação tributária anual por cenário
  • alertas de risco e oportunidades (CNAE, fator R, enquadramento)
  • mapa de impostos do ano (para prever caixa)
  • precificação mínima segura para 1–3 itens/serviços principais
  • política de retirada do dono (pró-labore e lucros)
  • folha de pagamento redonda e auditável (cálculos corretos, eventos bem lançados e rotinas em dia no eSocial/FGTS/INSS para reduzir risco trabalhista e evitar custo oculto)

Isso é contabilidade aliada no mundo real: menos “PDF técnico” e mais decisão.

Checklist rápido:

  • Revisar enquadramento/regime com simulações
  • Revisar CNAE/atividade e riscos
  • Checar fator R (se aplicável) e estratégia de folha
  • Montar precificação mínima dos top 3 produtos/serviços
  • Definir regra de pró-labore e distribuição de lucros
  • Conferir a folha mensalmente com um “check de risco” (admissões/documentos, variáveis, férias/13º/rescisões e consistência no eSocial)
  • Criar rotina mínima de documentos (15–30 min/semana)

Quer que a CO&FIN faça isso para você?

Se você quer pagar menos imposto legalmente, precificar com margem, organizar retirada do dono e ter uma folha que não vire um risco trabalhista, me chama e escreve:

Quero planejamento + precificação + folha”

Eu te digo exatamente quais dados eu preciso (o mínimo possível) e te devolvo:

  • cenários de tributação
  • pontos de ajuste imediatos
  • precificação mínima segura dos seus principais itens/serviços
  • checklist de folha/DP para reduzir risco trabalhista e dar previsibilidade do custo de equipe

Quer que a CO&FIN ajude você a colocar essa estratégia em prática agora mesmo? Eu posso realizar seu planejamento tributário, ajustar sua precificação e blindar sua folha de pagamento.

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FAQ: Como transformar a contabilidade no braço direito da sua gestão

Minha empresa ainda é desorganizada. A contabilidade pode me ajudar mesmo assim?

Com certeza. Muita gente acredita que precisa ter um sistema perfeito para começar, mas a contabilidade pode ser sua aliada antes mesmo da empresa estar 100% organizada. O segredo é mudar o foco: em vez de esperar por relatórios complexos, use o contador para pagar menos impostos legalmente, ajustar sua precificação e organizar a retirada de pró-labore. O objetivo é tomar decisões com os “dados possíveis” enquanto você constrói uma rotina financeira mínima.

Como saber se estou pagando mais impostos do que deveria?

Existem sinais claros de que sua empresa está perdendo dinheiro para o fisco por falta de estratégia:

Sua empresa está no Simples Nacional “por padrão”, sem nunca ter feito uma simulação comparativa com outros regimes (Lucro Presumido ou Real).
Você nunca revisou seus CNAEs (atividades) desde a abertura.

Você tem uma folha de pagamento relevante e nunca aplicou o Fator R para reduzir a alíquota.

Você mistura atividades (serviço e comércio) e tributa tudo pela alíquota mais alta.

O que é necessário para fazer um Planejamento Tributário eficiente?

Não é necessária uma estrutura gigante. Mesmo com controles medianos, a contabilidade consegue gerar um impacto real analisando apenas quatro pilares: Faturamento + Folha de Pagamento + Atividade (CNAE) + Notas Emitidas. Com isso, é possível simular cenários e descobrir qual regime tributário deixa mais dinheiro no seu caixa.

Como a contabilidade ajuda a definir o preço correto dos meus produtos ou serviços?

A precificação correta evita que você “pague para trabalhar”. A contabilidade orienta você a incluir no cálculo custos que muitos esquecem:
Impostos diretos sobre a venda (ISS, ICMS, Simples).
Encargos de mão de obra (salários e benefícios).
Rateio de custos fixos (aluguel, sistemas, honorários).
Margem de lucro real para garantir a saúde do negócio.

Qual a diferença entre Pró-labore e Distribuição de Lucros?

O Pró-labore é o salário do dono, um valor fixo compatível com a função exercida, sobre o qual incidem impostos previdenciários. Já a Distribuição de Lucros é a remuneração pelo capital investido, que deve ser feita com base em critérios de caixa e impostos provisionados. Organizar essa divisão traz previsibilidade para seu caixa pessoal e reduz drasticamente o risco de fiscalização.

Como evitar processos trabalhistas e erros na folha de pagamento?

A folha de pagamento deve ser vista como um custo estratégico, não apenas como o envio de um contracheque. Para reduzir riscos, é essencial:
Manter a documentação de admissão sempre completa e em dia.
Garantir a consistência dos dados enviados ao eSocial.
Ter um calendário claro para fechamento de horas, faltas e benefícios.
Analisar o custo real de cada colaborador (salário + encargos) para planejar contratações futuras.

Qual a rotina mínima que eu preciso ter para a contabilidade funcionar?

Você não precisa ser um expert em finanças. Para destravar 80% do valor da contabilidade, basta uma rotina de 15 a 30 minutos por semana para:
Separar rigorosamente os gastos pessoais dos gastos da empresa.
Organizar e enviar os documentos básicos.
Registrar o faturamento, os principais gastos e os pagamentos previstos para os próximos 15 dias.

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